The Unfolding
The Unfolding (2026) é o segundo álbum do guitarrista e compositor brasileiro Matheus Wendt. Transitando entre o jazz moderno e world music, o trabalho reúne nove faixas de sua autoria, evidenciando o amadurecimento de sua linguagem musical e uma abordagem contemporânea marcada pela pesquisa sonora.
O álbum dá continuidade à parceria com Pedro Saul (piano e rhodes), Felipe Schütz (contrabaixo acústico) e João Bauken (bateria), formação que acompanha Matheus desde seu primeiro disco e que se consolidou a partir do trabalho desenvolvido ao longo dos últimos anos.
O álbum completo está disponível no Bandcamp, além de todas as plataformas de streaming.
||| Créditos
Matheus Wendt - Guitarra e violão
Pedro Saul - Piano e rhodes
Felipe Schütz - Contrabaixo acústico
João Bauken - Bateria
Todas composições de Matheus Wendt
Produção de Matheus Wendt
Captado no estúdio Tec Áudio, Porto Alegre
nos dias 17, 18 de dezembro de 2025 e 16 de janeiro de 2026
Captação de Antonio Flores e Artur Wais
Mixagem de Antonio Flores
Masterização de Marcos Abreu
Fotografia de Caio Kolling
Vídeos de Caio Kolling
Projeto gráfico e ilustrações de Gabriel Sacks e Lídia Brancher




Mar Aberto
Mar Aberto surge como o ponto de partida do disco, abrindo um caminho em direção a um novo futuro. A composição é uma homenagem à obra de Allan Holdsworth, tendo especialmente Looking Glass como referência. Explora possibilidades rítmicas e formais por meio do deslocamento de acentos e de diferentes agrupamentos, criando uma sensação constante de movimento e abertura. Algumas das ideias harmônicas presentes na música dialogam com o universo do grande saxofonista e compositor Joe Henderson.
Keith
Keith é uma composição em homenagem a um dos meus pianistas preferidos de todos os tempos, Keith Jarrett. A música explora motivos melódicos simples que dialogam com sua obra para piano solo, incorporando elementos da música gospel e do folk. Trata-se de uma forma singela de homenagear um dos músicos que mais ouvi ao longo da minha vida.
Prólogo: Labirinto Imaginário
A composição é dividida em duas partes: o Prólogo e o Labirinto Imaginário. O conjunto traz referências ao impressionismo presente na música de Debussy e Ravel. O Prólogo é a primeira parte, um solo de violão no qual exploro cordas soltas como forma de criar tensões nos acordes. Já Labirinto Imaginário é um duo de violão e piano, buscando diferentes texturas harmônicas e melódicas. A peça é estruturada de maneira a gerar a sensação de estar perdido em um labirinto, ou na própria imaginação, e é dessa sensação que surge o nome da composição.
Dança dos Ventos
A composição surge a partir dos estudos harmônicos de Pinocchio, de Wayne Shorter, aliada à ideia de uma melodia simples e repetitiva, remetendo a United. A música se desenvolve de forma hipnótica e cíclica, enquanto o nome Dança dos Ventos faz referência à Sagração da Primavera, de Igor Stravinsky, evocando um caráter ritualístico e a sensação de movimento contínuo.
Can We Stay Together?
Can We Stay Together? é uma balada simples e efetiva — talvez a melhor definição para a música. Ela transita entre a forma e o vocabulário das canções do Great American Songbook, das baladas de Wayne Shorter, como Infant Eyes, e das composições de Tom Jobim.
The Unfolding
A composição surge a partir de um vamp que estabelece uma sonoridade densa e profunda, com referências a trechos da Sagração da Primavera, de Igor Stravinsky, e a Ascent, de Lyle Mays. A melodia passou por diferentes transformações até chegar ao resultado final, explorando as tensões e caminhos que se desenham sobre essa base harmônica. A introdução faz referência à estética de Debussy, buscando uma sonoridade mais aberta e impressionista, derivada do material harmônico do próprio tema. Já a parte final apresenta um contraponto que dialoga com Slink, de Lyle Mays; essa seção foi composta ainda durante minha graduação, em uma disciplina de contraponto.
Esta composição já vinha sendo desenvolvida no mesmo período em que as músicas do primeiro disco foram compostas. Por isso, o nome The Unfolding surge como uma sequência de Long Story Short, expandindo e desdobrando a sonoridade apresentada naquele trabalho.
Street Lights
Street Lights surge a partir de uma referência ao pianista Herbie Hancock, especialmente à composição I Have a Dream. A música ficou pronta em apenas um dia, mas passou por pequenas revisões harmônicas e formais ao longo do tempo, mantendo sempre seu esqueleto original. Cheguei a testá-la em ¾ por um período, mas acabei retornando ao seu formato inicial. Trata-se de uma composição totalmente straight ahead, com um tema simples e direto para a improvisação.
A Torre do Relógio
A Torre do Relógio foi composta inicialmente como uma balada, mas ao longo do tempo decidi mudá-la para ¾, dando mais movimento e vida à música. A peça faz referência a algumas composições e ao estilo do pianista Aaron Parks. Foi a última composição a entrar no disco, apenas duas semanas antes da gravação, pois inicialmente eu não acreditava que se encaixaria com as outras músicas, justamente por ter uma harmonia totalmente triádica e simples. É, porém, essa simplicidade que torna a música tão bonita e contemplativa, permitindo que o tema fale por si só, sem necessidade de solos ou floreios.
Espelho Mágico
Espelho Mágico é uma composição harmonicamente complexa, na qual explorei diferentes caminhos e ideias que vinha estudando naquele período. Ao mesmo tempo, a harmonia moderna se mistura a elementos de standards tradicionais do jazz, unindo passado, presente e futuro. O nome Espelho Mágico é uma forma de homenagear o grande poeta gaúcho Mario Quintana, autor de um livro com o mesmo título.







